GARÇOM, TRAGA MAIS UMA….E DEIXE A GARRAFA

1 Postado por - 2 de novembro de 2017 - Artigos

Fonte: http://ouvindopodcast.com.br/canal/191/mais-uma-dose

 

A primeira vez em que estive no Olímpico foi em 1997. Mais precisamente dia 24 de agosto de 1997. Eu sei porque é fácil de pesquisar. Pense….sim, o famigerado Grenal dos 5 x 2, Fabiano cachaça, aquela coisa toda.  Eu tinha 17 anos, mais cabelo e um IMC bem melhor. Perdoem meu delay em ir ao estádio. Tive uma infância não tão próxima dele. Sou Caxiense e meu pai tem um trauma de estádios por ter levado uma laranjada no olho certa vez, e só ter acordado no hospital. Para que vocês tenham uma ideia, há poucos anos levei-o ao Olímpico ainda, e ele ficou maravilhado com a visão do anel superior, que ele nunca havia visto à não ser pela televisão.  Sim, senhoras e senhores, o estádio de futebol já foi um lugar bem menos civilizado. Recentemente o levei à Arena, assistir ao jogo do Brasil, e ele percebeu que o que hoje acompanhamos é quase um outro espetáculo.
Pues que a segunda vez em que estive no Olímpico tampouco tive mais sorte. A data também se mostra de fácil pesquisa, 17/12/2000. Sim, aquele Grêmio 1 x 3 São Caetano. Calor, um dia lindo de sol e céu azul, bandeirão gigante no campo, ocupando o gramado inteiro, foto aérea que depois foi parar no museu do clube. Hoje fico tranquilo ao ver que o São Caetano anda por aí, como aquele mendigo famoso que toda cidade tem e que muitos dizem já ter sido alguém importante.
Calma amigos, ainda houve um terceiro prólogo, se é que isso existe. Foi em 2003, num jogo em que atacamos o quanto conseguimos, e perdemos para o Goiás por 1 x 0. Naquele ano namoramos a série B. As bodas se dariam ano seguinte, para então passarmos 2005 em uma lua de mel no inferno, rolando em campos sem grama e vestiários sem água quente, culminando com o êxtase nos Aflitos e posterior divórcio do Diabo.
Eis que este neste exato ano de sofrência, antes mesmo que este neologismo tivesse sido criado e aplicado à um tipo ruim de música, me associei ao clube. O raciocínio foi lógico; se eu fosse à todos os jogos em casa, eu duvido que o time fosse perder todos. É claro que hoje podemos dizer que fui visionário, que sabia que o futebol é o esporte que melhor serve como metáfora para a vida, etc e tal… Pode ser, mas à época eu só penso que fui teimoso o suficiente.
A vida costuma recompensar o esforço dado de bom grado, sem exigências de reciprocidade. Se em 2005 eu vi jogadores tratando a bola como cusco sarnento, em 2007 eu estava assistindo à uma final de Libertadores, contra um dos maiores times da década na América do Sul, o Boca Juniors de Riquelme (Juan Roman, não a assessora de imprensa que busca holofotes desmerecendo rivais), Palácio e Palermo, dentre outrem. Fui ao estádio sabendo que a derrota por 3 x 0 na Bombonera já havia sido definitiva. Não interessava. Não era a primeira final de Libertadores de meu clube, mas era a minha no estádio. E só sabe o que é isso quem já esteve lá.
Hoje, o clube para o qual torço desde criança e ao qual me associei em um momento de dificuldade figura entre os primeiros no ranking do país, do continente e do mundo, possui quase uma centena de milhares de outros sócios e um estádio moderno e belíssimo. São louros que adornam mas não me sustentam. Meu time tem jogado todos os campeonatos em que entra com real chance de vencê-los. O torcedor sabe disso, mas, principalmente, os adversários também o sabem. Na última década figuramos entre os primeiros em quase todos os Brasileiros, e jogamos uma Libertadores a cada dois anos, eventualmente em anos consecutivos, fazendo boas campanhas.

Agora vamos para mais uma final de copa. A minha segunda no estádio, que por sua vez já não é o mesmo. Novamente somos vistos com respeito pelo adversário, pois é recíproco. Sabemos que copas não são campeonatos. Copas são intensas, extenuantes, explosivas, e não costumam perdoar desatenções ou arrogâncias. Uma bola parada, um vacilo do goleiro, um sopro mal dado do juiz em seu apito podem decidir uma partida e entregar uma taça. Disso sabemos. Perderemos…venceremos… já não nos é dado o direito ao arrependimento. Dessa taça já sabemos o conteúdo…e gostamos. Que o garçom nos traga mais uma, e deixe a garrafa.

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1 comentário

  • Marcelo Miotto 2 de novembro de 2017 - 10:39 Responder

    Belo

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