Goleiros pra quê?

2 Postado por - 5 de abril de 2016 - Artigos

E a resposta é fácil: pra qualificar o elenco. Em 2015, ainda sob o “governo Felipão”, Tiago Machovski começou a ganhar chances seguidas como titular com Leo na reserva porque simplesmente o Grêmio tinha apenas o Grohe. Isso bastava – o nosso titular poucas vezes se lesiona – mas começava  a ser incômodo à partir do momento em que a Seleção começou  a usar também seu futebol. Assim, o homem do bigode pediu, urgentemente, que o Grêmio trouxesse outro goleiro. No fim do Ruralito, o time contratou o melhor goleiro da competição, Bruno Grassi.

Não deu um mês e quem saía do time era o próprio comandante. Aí o Grêmio trouxe o Roger e, não sei porque cargas d’água, o novo comandante não entendeu que o Bruno Grassi devia ser a primeira opção. O Tiago foi titular em vários jogos e tomamos uma sacola de gols, perdendo pontos importantíssimos. O que mais pesava contra ele era o péssimo tempo de bola pra sair de gol. Além disso, era um goleiro pesado – o que significa que não tinha muita elasticidade para ir na direção do chute. O que sustentava ele até aquele momento no time era o reflexo. E isso não é suficiente para um goleiro ser profissional em uma série A.

Mas o problema não foi só esse. Bruno Grassi também não foi nenhum espetáculo quando foi titular. Parece ser um goleiro que precisa de entrosamento pra render mais. E um goleiro reserva não tem esse tempo. Precisa dar resposta em um, dois jogos, sair e voltar depois. Ainda mais sendo mais velho que o goleiro titular. É pra emprestar a sua experiência para apagar incêndios. Enquanto o Tiago jogou 12 partidas e levou 13 gols (1,1 gols por jogo), Bruno levou 6 em 5 (1,2 gols por jogo). O titular, Marcelo Grohe, tomou 12 em 23 partidas. Há um abismo entre o titular e os reservas.

Douglas, novo goleiro do Grêmio até o fim da temporada. Foto: Lucas Uebel/Grêmio Oficial

Douglas, novo goleiro do Grêmio até o fim da temporada. Foto: Lucas Uebel/Grêmio Oficial

Portanto, 2016 começou sem o Tiago. Velho demais pros times de base e instável demais para tomar parte no elenco, viu seu espaço ser preenchido pelo Léo, mais novo e mais atlético. Com a contusão dele por 30 dias, era preciso outro jogador. E aí veio a oportunidade: Douglas. Destaque do Capivariano no paulista de 2015, o gaúcho fez chover na campanha que não rendeu mais do que livrar o time do rebaixamento no campeonato. Porém, foi para o Bragatino jogar a série B. Foram 34 jogos e 49 gols tomados na série B (média de 1,4 gols/jogo) de um total de 56 do time nos 38 jogos.

Em setembro foi contratado pelo Corinthians para brigar por posição no elenco que ia se desfazer do Cássio. Como o titular deles não saiu, acabou sobrando: o reserva imediato, Walter, tem praticamente a mesma idade (e coleciona grandes partidas no time) e o Matheus Vidotto é tratado como joia da base. Assim, até um segundo momento, estava sobrando de um elenco que não tem o seu camisa 1 constantemente convocado pela CBF. Obviamente teria mais espaço aqui.

É uma contratação por conveniência. Como está emprestado, provavelmente não deve ficar depois do final do contrato. A não ser que o Corinthians mude de ideia e não queira a sua permanência lá – o contrato do Bruno Grassi termina em abril de 2017 e precisaria ser renovado ano que vem. O máximo que pode acontecer é dar certo e o Grêmio precisar desembolsar alguma grana na próxima temporada pra ficar com ele. Ou o Léo se afirmar de vez e a gente não precisar ficar falando disso.

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10 + comentários

  • Artur Wolff 5 de abril de 2016 - 14:52 Responder

    A análise de goleiros por média de gols tomados é complicada pois teríamos que considerar sempre, em conjunto, quem está jogando na frente deles.

    • Fagner 5 de abril de 2016 - 16:11 Responder

      Sim, por isso não analisei por média de gols quem não pode ser comparado. No caso dos goleiros do Grêmio dá, já que jogaram com a mesma defesa, todos os três. Só passei os números do Douglas por que tinha passado os nossos e alguém ia vir aqui perguntar.

      Saludos,
      Fagner

  • Luiz Antonio 5 de abril de 2016 - 21:39 Responder

    É, simples..O Marcelo Groe é peruzeiro, é um goleiro falho, tem braços de Jacaré, não sabe sair do gol, é um poste de trem cravado e pequeno..Groe é uma nulidade. Em quanto esse goleiro Groe estiver na Arena, nunca ganharemos nada..

  • Dexter 6 de abril de 2016 - 08:34 Responder

    O Tiago não foi essa tragédia toda, pegando no Footstats a média de gols sofridas por ele em comparativo com a do Grohe no mesmo campeonato é mínima. Lembrando também que o Grohe, na idade do Tiago, era ainda pior. Goleiro tem um desenvolvimento, geralmente, mais lento e chega ao seu ápice – e estabiliza – por volta dos 25, 26 anos.

    E o pior, tratar um goleiro com trajetória nebulosa (Irã, por exemplo, sem falar nos pequenos), como algo a agregar ao elenco ao invés de ter apostado num prata da casa. Até parece que caso o Grêmio necessite dos préstimos do Douglas na Libertadores alguém aqui se sentirá seguro. É a velha história do “quem está fora é melhor”.

    • Fagner 6 de abril de 2016 - 11:14 Responder

      Cara, os números ali de cima são do Footstats. É uma diferença absurda nos números (1,2 gols por jogo do Tiago contra metade – 0,5 – do Grohe). Concordo que o Grohe não era muita coisa na idade do Tiago, tomou um frango inesquecível do Farroupilha de Pelotas num ruralito. Mas o Tiago teve uma boa quantidade de jogos como titular pra provar que só tem reflexo.

      Como eu coloquei no texto, pra mim o Douglas vem pra concorrer com o Bruno Grassi. O entendimento dos treinadores deve ser que nenhum dos da base consegue hoje fazer isso. Eu apostava muito no Ygor, mas eu vi um campeonato só (aquela Taça BH ode ele substituiu o Tiago, lesionado, e jogou um absurdo). Só que ele não foi aproveitado e voltou pro Paulista em 2015. Acho a avaliação dos goleiros muito ruim, ultimamente. Queria o Mazaropi coordenando isso.

      Saludos,
      Fagner

  • RAFAEL 6 de abril de 2016 - 11:29 Responder

    Num vídeo de 11 minutos o cara só espanou 1 bola pra frente, quanto a “entrosamento” dos goleiros, o Grohe não teve isso na época do Victor na seleção…

    • Fagner 6 de abril de 2016 - 13:49 Responder

      Sim, exato. Nem todo o goleiro tem características de ser bom reserva (Murilo pro Danrlei, por exemplo).

      Saludos,
      Fagner

  • Fábio Malet 6 de abril de 2016 - 15:45 Responder

    Tiago é um goleiro de um potencial absurdo. Acompanho bastante a base do Grêmio e ele é um dos melhores goleiros que já vi na base nos últimos anos. Foi convocado para as seleções de base em alguns momentos, e, em 2014, chegou a ser convocado pelo técnico Alexandre Gallo para a seleção que preparava-se para as Olimpíadas (à época, seleção sub-21). Não é só reflexo, apesar de essa ser sim sua melhor qualidade. Era um cara bastante seguro, o dono da área e era também um líder nos times de base, por muitas vezes o capitão da equipe (era capitão, por exemplo, daquele time sub-20 de 2012 com Thyere, Biteco, Wangler, Misael, Mamute, Tinga, etc.).

    Em 2014, no profissional, teve um desempenho absurdo. Nos jogos que substituiu Grohe foi muito bem, e muitos, até da imprensa, precipitaram-se até em dizer que “Marcelo não precisava mais voltar”. Foi o melhor em campo em sua estreia no Brasileirão (http://zh.clicrbs.com.br/rs/esportes/gremio/noticia/2014/10/cotacao-zh-alan-ruiz-e-tiago-sao-os-destaques-do-gremio-na-vitoria-sobre-o-sport-4617182.html), foi elogiado, e ganhou até matéria longa e especial do GloboEsporte (http://globoesporte.globo.com/rs/futebol/times/gremio/noticia/2014/10/do-pai-taffarel-tiago-segue-escola-e-e-movido-provas-de-fogo-no-gremio.html).

    Em 2015, oscilou bastante. Fez partidas como as de 2014. Mas também foi bastante culpado em vários pontos perdidos. Normal para um jovem que ainda não chegou a marca de 20 jogos como profissional. Entendo a troca por Bruno Grassi (apesar de discordar) e a ascensão de Leo como 3ª opção, mas ser retirado do grupo profissional para treinar em separado é uma punição exagerada demais para ele. Diz-se que é desleixado, não cuida do peso e é assíduo frequentador da noite porto-alegrense. Mas sinceramente, acho que o Grêmio está desistindo muito cedo de um jovem com enorme potencial. Talvez o Grêmio já tenha tentado de tudo para recuperá-lo, o que não é de meu conhecimento. Mas a qualidade e o potencial estão ali. Espero que um dia volte a ser o Tiago de 2014 e confirme o potencial que demonstrara anteriormente. Um empréstimo para uma equipe mais fraca onde seja titular absoluto seria uma boa saída a essa altura da temporada.

    Desculpem o textão,
    Saudações tricolores!

    • Fagner 7 de abril de 2016 - 14:42 Responder

      Cara, valeu pelo texto. Embora eu não tenha visto mais que os torneios sub-20 veiculados na TV, não concordo com o potencial dele. O fator peso é visível e não vi nenhuma vez ele jogar sem aquele aspecto na base. Pra falar a verdade, só no fim de 2014 ele ficou mais magro do que eu tava acostumado a ver.

      Em 2012 vi o Ygor jogar (Tiago se lesionou naquela tunda que levamos do Danrlei da Copinha – onde nem teve tanta culpa em levar um monte de gols, estava visivelmente descontado) na taça BH e ele jogou demais. Não soltava uma bola, era seguro em bola aérea e até pênalti acabou pegando na final com o Flamengo. Então, concordo contigo no geral: o Grêmio parece não saber muito o que faz com os goleiros faz um bom tempo. Tanto que o último que subiu com relativo sucesso é justamente o Grohe – e isso faz 10 anos.

      Saludos,
      Fagner

  • Bruno Rosa 7 de abril de 2016 - 11:19 Responder

    Boa análise Fábio Malet.
    Acompanhando os jogos, nota-se que o Tiago é muito bom debaixo das traves, mas com muita dificuldade nas saídas de bola em cruzamentos.
    Isso deveria ser treinado exaustivamente para melhorar. Tem muito potencial.
    Quanto ao peso e balada, deveria ter um acompanhamento psicológico, mas ele precisaria querer muito…

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